VIII - MARCELINO ARGEMIRO DE SOUSA
Marcelino Argemiro de Sousa
Marcelino Argemiro de Sousa se casou com sua prima Maria Resplandes de Sousa (26/04/1940), filha de Jorcelina Sousa da Encarnação (ou Jorcelina Sousa de Oliveira) (24/12/1919-22/03/2004, filha de João de Sousa Carrijo, conhecido como João Bem e Maria Joaquina da Encarnação) e João Resplandes de Araújo (ou João Rodrigues de Oliveira) (05/07/1914-08/04/1992, filho de Raimundo Rodrigues de Oliveira e Belizária Resplandes de Araújo). Teve com ela os seguintes filhos: Izaias Resplandes de Sousa (25/05/1958), Antônio Resplandes de Sousa (04/09/1959), Argemiro Resplandes de Sousa (23/02/1961), Waldomiro Resplandes de Sousa (11/10/1962) e Vildaci Resplandes de Sousa (28/07/1964-05/06/1978). Nos primeiros anos de casados, eles moraram na Fazenda da Mata. Depois se mudaram para Goiânia, GO. Ali, adquiriram uma propriedade na Rua S-4 nº 781, Setor Bela Vista. Ficaram pouco tempo naquela cidade, retornando para a Fazenda da Mata, onde se separaram.

Após a separação, Marcelino uniu-se com Maria Cândida Teodoro (24/04/1929-22/04/2005), a qual já possuía de seu primeiro casamento, os seguintes filhos: Luiza Coêlho de Freitas (04/11/1951-24/02/1921), Lucimar de Freitas Coelho (30/08/1953), Ediranir Coêlho de Freitas (07/09/1957-17/02/2018), Luzia de Freitas Coêlho (30/07/1955), Luecy de Freitas Carrijo (29/12/1959) e Alcy Coêlho de Freitas (07/09/1962). Com ela, teve os seguintes filhos: Sandoval Freitas de Sousa (09/07/1965) e Wanderley Freitas de Souza (24/06/1968). Nos primeiros anos dessa união, Marcelino e sua nova família viveram na Fazenda da Mata, sendo vizinho de seu irmão Josias Gomes de Sousa (de um lado) e de Sebastião Teodoro de Freitas (do outro). A casa ficava no local onde seu Manoel Bisuta tocara um bolicho, o qual fora adquirido por Marcelino. Tempos depois, ele construiu uma nova casa, para onde se mudou com a família.

Meu pai
Izaias Resplandes de Sousa
Eu tive muitos pais nesta vida e quero honrar a todos eles através dessa homenagem específica que presto ao meu pai biológico Marcelino Argemiro de Sousa. Que todos os familiares possam receber essa homenagem em nome deles. Recordo em especial Pai João (João Resplandes de Araújo) e Padrinho Tunico (Antônio Gomes de Sousa), meus dois avós. Era assim que eu os chamava. Relembro também tio João Pereira (esposo de tia Kiló) com quem vivi na Fazenda Sobra, município de Torixoréu, MT, durante algum tempo, após a separação de meus pais biológicos Marcelino Argemiro e Maria Resplandes. Recordo do tio Ita (Itamário Carrijo de Sousa), com quem morei durante dois anos e pouco em Alto Araguaia, MT, no início dos meus estudos ginasiais. Recordo também seu Erasmo Mendes de Moraes, segundo esposo de minha mãe biológica, em companhia de quem vivi por muitos anos em Santo Antônio do Leste, MT (Corgão) e em Poxoréu, MT e que foi meu pai na fé, juntamente com minha mãe Maria Resplandes de Sousa. Homenageio também ao meu sogro Sebastião Rodrigues de Andrade (pai de minha esposa Maria de Lourdes Resplandes) e que me orientou e me apoiou em muitas coisas, desde o meu casamento até os últimos anos de sua vida. Além desses meus pais de honra, também tive muitos padrinhos, pessoas especiais que foram também meus mentores nesta vida. A minha gratidão a todos.
Marcelino Argemiro de Souza, meu pai biológico, foi o meu primeiro e mais importante pai. Foi ele, juntamente com minha mãe, o responsável pela minha vinda ao mundo. Com Marcelino eu aprendi as primeiras lições da vida, como o respeito aos mais velhos, por exemplo.
Se meu pai estivesse conversando com outra pessoa, eu não poderia passar entre aquelas pessoas, nem mesmo pedindo licença, porque isso seria uma grande falta de respeito para com o meu pai e para com aquela pessoa.
Outro valor que aprendi com meu pai foi sobre a honestidade. Seu Marcelino não admitia que nós achássemos alguma coisa e levássemos para casa. Ele dizia que todas as coisas tinham donos. E, portanto, aquilo que nós achávamos, deveríamos deixar lá onde estava, porque o dono voltaria para procurar e se nós tivéssemos pego, ele não conseguiria recuperar o que perdera. E assim, quando nós encontrávamos alguma coisa e chegávamos com ela em casa, meu pai logo perguntava onde é que nós tínhamos encontrado aquilo. E quando dizíamos, ele mandava que nós voltássemos lá e colocássemos as coisas no mesmo lugar onde tínhamos encontrado. Com isso, meu pai evitava que nós nos apropriássemos de coisas de outras pessoas e, por outro lado, que desenvolvêssemos em nós o espírito de honestidade e de respeito ao alheio.
Foi com meu pai Marcelino que eu também aprendi as primeiras letras. Meu pai passava as letras para gente cobrir e colocava meus irmãos e eu para ler essas letras todas as noites. Nós fomos a escola com vários professores, mas na verdade, o verdadeiro aprendizado acontecia em casa. É de dizer que eu levei alguns croques ou cascudos no cocuruto para aprender a prestar atenção nas letras e não dizer o nome delas errado. Mas, aos poucos eu fui aprendendo as curvas e o jeitinho de cada letra e também fui dominando as sílabas e as palavras. Meu pai nos colocava para ler tudo que aparecia para ser lido. Até bula de remédio a gente lia. E foi graças ao seu Marcelino que, na escola, eu só tomei um único bolo nessa vida, bolo de palmatória, eu me refiro. Porque todas as noites eu tinha que aprender a lição que seria dada no dia seguinte na escola. E quando eu chegava na escola para aprender a lição lá, na verdade eu já sabia a lição e o que eu estudava lá era apenas um reforço, o que me colocava à frente dos outros na hora dos argumentos e das sabatinas que o professor realizava.
Eu fui considerado um bom aluno na escola por conta do trabalho doméstico feito pelo meu pai. A verdade é que as pessoas não sabiam das dificuldades que eu tinha para aprender em casa, mas o importante é que eu aprendi. E até hoje aplico a metodologia desenvolvida pelo meu pai nos meus estudos iniciais.
Durante meus estudos secundários no ensino médio eu desenvolvi o hábito de chegar uma hora mais cedo, antes de iniciar as aulas e, junto com alguns amigos, nós estudávamos o conteúdo que os professores estavam aplicando. Assim, nós sempre estávamos em vantagem porque nós estudávamos todos os dias. Às vezes estudávamos até coisas que o professor ainda não tinha passado.
Hoje eu recordo que foi com meu pai que eu aprendi a fazer o dever de casa. Na faculdade de direito foi a mesma coisa. Sempre que eu chegava à faculdade, eu formava uma rodinha numa pracinha do boulevard que passava em frente de minha sala de aula por entre os pavilhões da faculdade, em Primavera do Leste. E ali, eu desencadeava uma discussão sobre os assuntos que estavam sendo tratados nas aulas do curso de Direito. A mesma coisa acontecia dentro do ônibus, quando nós estamos indo ou voltando para casa em Poxoréu, MT. Durante toda a viagem eu vinha discutindo com uma colega que sentava ao meu lado, o conteúdo das aulas. Algumas colegas que dormiam nas cadeiras, pediam para que nós parássemos, mas ao invés de parar, eu continuava, apenas abaixando um pouco tom de voz para não atrapalhar o sono delas. E assim, seguindo a herança de meu pai Marcelino, eu sempre levei vantagem nos estudos também na faculdade. Isso garantiu que, ao final do curso, eu lograsse obter a menção honrosa, a Laura Acadêmica de melhor aluno do curso de Direito. E eu, sinceramente, gostaria de ter legado essa placa ao meu pai. Mas não pude fazê-lo, porque ele faleceu no ano em que eu ingressei na faculdade de direito, em 29 de junho de 2004.

Também aprendi com seu Marcelo, como meu pai era chamado, as lides do comércio. Meu pai foi bolicheiro. Começou no Pé da Serra, município de Torixoréu, Mato Grosso e depois continuou em Goiânia, lá na Vila Canaã, no Setor Pedro Ludovico, no Setor Bela Vista e, por último, ele foi para o bairro Colina Azul, em Aparecida de Goiânia, onde trabalhou até o dia em que faleceu. Eu tive o prazer de trabalhar com meu pai em quase todos esses lugares, ajudando no atendimento, anotando as compras, colocando preços e somando contas. Meu pai não admitia que nós usássemos calculadoras. A somas das contas deveriam ser feitas na ponta do lápis e, ao final, deveríamos tirar a prova dos nove para ver se estava correto. E eu posso dizer que isso foi muito importante, pois deu sentido aos meus estudos de tabuada. É de ver que eu fui campeão de tabuada no meu tempo. E foi talvez por este amor aos números, incutido pelo meu pai em mim, que eu também me dediquei ao estudo da ciência dos números, cursando Matemática em nível superior, na Universidade Federal de Mato Grosso e depois fazendo a pós-graduação em Matemática e Estatística, na Universidade Federal de Lavras, MG. Tendo me formado em Matemática, me tornei professor concursado do Estado de Mato Grosso, nessa área, cargo em que hoje estou aposentado. Agradeço ao meu pai, que me fez gostar dos números, gostar dos cálculos, gostar dos problemas, o que me possibilitou ingressar nessa profissão de Professor de Matemática.
Foi seu Marcelino que também me inspirou a me tornar um professor alfabetizador de crianças. E assim, em meu estudo secundário, o ensino médio, eu fiz o curso de Técnico em Magistério, tornando-me Professor das séries iniciais. E depois, também fiz uma complementação pedagógica ao magistério, ao nível pós-médio, na área de Alfabetização, a fim de me aperfeiçoar como professor de crianças. Posteriormente, também fiz, em nível superior, o curso de Pedagogia, pela UFMT, conquistando minha habilitação em nível superior para professor de séries iniciais.
Seu Marcelino também foi meu professor no terceiro ano primário, em Pouso Alto, município de Torixoréu, MT. Ali, fui colega de mais 49 alunos, os quais compunham a sala de aula de meu pai, que funcionava no salão de festas lá de Pouso Alto.
Foi também com seu Marcelino que eu desenvolvi o gosto pelos trabalhos agrícolas. Na minha infância, meu pai me ensinou o valor da enxada, da foice e de outras ferramentas. Seu Marcelino nos colocava para trabalhar nas roçadas, na limpeza do quintal e em outros serviços. E assim, desde criança, aprendi a dar importância ao trabalho na terra e hoje eu tenho grande prazer a plantar e em cultivar todas as espécies de plantas possíveis, em minha casa em Poxoréu, onde eu tenho um grande quintal, a Mata do Vô. Ali eu posso aplicar todos os conhecimentos que adquiri com meu pai naqueles primeiros anos.

Assim, eu quero dizer, em memória de meu pai, que valorizei cada um dos incentivos que ele me deu, adotando todas as profissões que ele me me incentivou adquirir. Me tornei Professor de crianças como meu pai foi, fui além e me tornei Professor de Matemática e Pedagogo, podendo lecionar também para outros níveis, inclusive na Universidade. Além do magistério, adquiri formação universitária em Direito. E destaco que nada de meus estudos foi em vão. Desde cedo aprendi a valorizar o trabalho com seu Marcelino e, após a maioridade, nunca tive problema para arrumar emprego. Em Poxoréu, desde 17 de março de 86 (quando me mudei para esta cidade) até hoje nunca fiquei um dia desempregado.
É costume da gente lembrar apenas os castigos que os pais nos deram. Mas as minhas lembranças de meu pai são lembranças boas e que eu transformei em algo concreto na minha vida, imitando seu exemplo, inicialmente, mas sempre avançando, como ele recomendava, esforçando-me para ir além do cafuçu que ele dizia ser. No entanto, orgulho-me de dizer que o título de cafuçu me honra. Eu nunca tive vergonha de dizer que também sou Pedagogo Cafuçu, um Professor Cafuçu de Matemática, um Advogado Cafuçu e um Comerciante cafuçu. Esse é o legado das memórias que guardo de seu Marcelino Argemiro de Sousa e de suas influências.

Ao finalizar, quero dizer que, ao longo de minha vida, assumi vários compromissos, mas creio que um dos mais importantes, foi o compromisso de honrar e valorizar a memória de meu pai e de minha família. Assim, como eu não gostaria de ser esquecido pelos meus filhos e familiares no futuro, quando eu não mais existir nessa vida, envidarei todos os esforços para manter viva, não apenas a memória de meu pai, mas também a memória de toda a nossa família.
Assim, ao cumprimentar todos os pais da nossa família, aos pais de nossos amigos e até mesmo aos pais que não conheço pessoalmente, mas que também são pais, queremos desafiar aos demais filhos para fazerem um registro sistemático de suas lembranças a respeito de seus pais. Faça os registros por escrito, porque, quando a memória falhar com o tempo, você vai se lembrar muito pouco sobre o que ele fez, caso não tenha registrado por escrito. Então, não deixe de registrar.
Àqueles que tiverem seus pais ainda vivos e que puderem compartilhar com eles mais alguns anos de vida, não deixem de tirar fotos, fazer filmes, estar presentes nos momentos importantes junto com eles. Coloquem seus filhos, os netos deles em seus colos, tire fotos e faça lembranças também em vídeo. Não deixe a memória de seu pai ficar esquecida.
Parabéns a todos os pais, por esse dia dos pais de 2020.
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E a história continua...




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