XXV - JORCELINA SOUSA DE OLIVEIRA
JORCELINA SOUSA DE OLIVEIRA
JORCELINA Sousa da Encarnação é filha de João de Sousa Carrijo (o conhecido João Bem) e de Maria Joaquina da Encarnação. Nasceu em Mineiros, GO, aos 24 de dezembro de 1919.
Em 25 de janeiro de 1937, uniu-se matrimonialmente com João Rodrigues de Oliveira.. A cerimônia aconteceu na Fazenda Olho D'Água propriedade de Gerônimo Gregório de Sousa. Após o casamento, passou a assinar Jorcelina Sousa de Oliveira.
Em muitos dos documentos de seus filhos e netos, o seu nome de Jorcelina é grafado como Jorcelina de Sousa Carrijo, como seu pai, mas o que consta em sua Certidão de Casamento e Carteira de Identidade é Jorcelina Sousa de Oliveira. O nome de João também sofre variações em diversos documentos, ora figurando João Rodrigues de Oliveira, como consta de sua Certidão de Casamento, ora figurando como João Resplandes de Araújo, conforme consta, por exemplo, na Certidão de Nascimento de seu neto Izaias Resplandes de Sousa. Parece que os Oficiais do Registro Civil aceitavam as apenas as declarações, ao invés de exigir documentos para comprová-las. Doravante, seguiremos com os nomes do registro de casamento deles, sempre fazendo menção às variações quando entendermos necessário. João ficou popularmente conhecido como João Nortenso.
João Nortenso, nasceu em 5 de junho de 1914, em Jenipapo do Resplandes, hoje município de Fernando Falcão, Maranhão. Seus pais foram Raimundo Rodrigues de Oliveira e Belizária Resplandes de Araújo. Veio para Mato Grosso quando tinha apenas 18 anos. E nunca mais voltou à sua terra natal.
A pesquisa sobre seus ascendentes restou prejudicada. Apesar de nossos esforços, não conseguimos estabelecer a ligação entre o braço da família representado por João Rodrigues de Oliveira ou João Resplandes de Araújo e os pioneiros que vieram do Estado do Ceará e se instalaram no Maranhão, onde iniciaram a Fazenda Jenipapo do Resplandes que, mais tarde, veio se tornar em Distrito, criado com a denominação de Resplandes, pela lei estadual nº 269, de 31/12/1948, subordinado ao município de Barra do Corda e elevado à categoria de município com a denominação de Fernando Falcão, pela lei estadual nº 6.201, de 10/11/1994, desmembrado de Barra do Corda, instalado em 01/01/1997. Mas não temos dúvidas de que nossas ancestralidades estão ligadas.
Até os 16 anos, aproximadamente, João Resplandes de Araújo viveu no Jenipapo do Resplandes em companhia de seus pais Raimundo e Belizária, mudando-se, então, para a cidade de Filadélfia, no antigo Estado de Goiás, hoje Estado de Tocantins.
Filadélfia fica localizada na margem esquerda do Rio Tocantins, onde faz divisa com o estado do Maranhão. Na margem direita do rio está localizada a cidade maranhense de Carolina.
Em janeiro de 1932, juntamente com uma dona Joana de Tal e mais três crianças, João Nortenso veio para o Mato Grosso em busca dos grandes e fáceis diamantes, que um senhor da família Cavalcante, seus vizinhos em Goiás, dizia haver neste Estado. Chegou em MT em maio de 1932, na cidade de Barra do Garças. Ali, trabalhou nos garimpos, tanto nos golfos como em manchões, não logrando, contudo, encontrar as fabulosas pedras de diamante. Assim, em outubro daquele ano, quando dona Joana retornou para Goiás, não a acompanhou em sua viagem, continuando aqui em Mato Grosso, trabalhando como peão nas fazendas “Cabaças”, do senhor Manoel Carrijo de Sousa, o Manoel Cará e “São Domingos”, do senhor Inácio Ribeiro.
Aqui eu faço um destaque para o relato gravado que meu avô João Resplandes de Araújo me fez de sua vinda para Mato Grosso. É possível haver alguma incoerência nas datas, em virtude do tempo já passado. E, até mesmo pelo fato de que, ao se fazer os registros de nascimento, normalmente, em tempo de eleições, era bem comum alterar a idade dos jovens para que pudessem votar nos candidatos da região. Eis o relato: "Eu vim com uma senhora Joana, residente no norte de Goiás, à beira do João Alves. Viemos por volta de Janeiro de 1932. Então nós viemos de lá para Araguacema, às margens do Rio Araguaia, onde nós chegamos em outubro. Ficamos ali em novembro, dezembro e janeiro. Depois seguimos para a Barreira do Campo, Estado do Pará. Ali, fomos atacados de maleita e ficamos lá até abril, quando seguimos viagem para Barra do Garças: eu, a senhora Joana e mais as crianças Nair, Regina e Raimundo. Em março do ano seguinte fui para Baliza (GO) trabalhar com um senhor de nome Antônio Jacarandá. Ali fiquei uns quatro anos. No correr do verão trabalhava na água e no inverno, nos manchões. Com 4 anos de trabalho sem pegar diamante, cheguei a pensar que não iria conseguir nada e deixei o garimpo, indo trabalhar com os fazendeiros para comprar roupas. Eu era bom para tirar leite e mexer com o gado. E eu comecei a trabalhar ganhando um bom salário, muito melhor o que nos garimpos. Trabalhei na Fazenda das Cabaças e na Fazenda São Domingos, de Manuel Cará e Inácio Ribeiro, [respectivamente]. Trabalhei nessas fazendas até 1937. Nesse ano de 1937, conheci dona Jorcelina de Souza Carrijo, jovem formosa, direita e casei-me, sendo a cerimônia realizada pela cartorária Dona Petita Sagin, de Torixoréu, MT, na fazenda Olho d'Água, de propriedade do Senhor Gerônimo Sousa. Eu conheci dona Jorcelina trabalhando nos mutirões com o senhor Manoel de Souza Carrijo (Manoel Cará), de quem ela era sobrinha. À noite tinha os bailes e reunia muitas moças. Eu a conheci e nos casamos em fevereiro de 1937".
João Rodrigues de Oliveira faleceu em 08/04/1992, em Poxoréu, MT, vitimado de leucemia, onde foi sepultado no cemitério local.
Meus queridos. Nascer, crescer, constituir família, ter filhos, netos, bisnetos, tataranetos e ir para Deus. Essa não seria uma vida simples. Seria uma vida excepcional. Não são muitos os que tiveram esse privilégio. Graças a Deus, “Mãe Celina” teve essa satisfação. No dia 25 de dezembro de 2005 ela festejou seus 89 anos de vida, cercada pelo carinho de sua parentela, em completa lucidez, pegando os bisnetos no colo, abraçando e sendo abraçada. Foi um dia muito feliz e que ficará em nossa lembrança enquanto nós vivermos, da mesma forma que também guardamos outros momentos felizes que passamos juntos com outros familiares que também já partiram para a eternidade.
Assim é a vida do homem. Ninguém veio ao mundo para viver aqui para sempre. Viemos para cumprir a missão de ser feliz e de fazer os outros felizes.
Esse sempre foi o plano de Deus para o homem. Diz no Gênesis que no sexto dia da criação, Deus fez o homem. Mas entendeu que “não era bom que o homem estivesse só” (2:18). Então fez também a mulher. Em seguida os abençoou e disse: “sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra.” (1:28) Diz também que “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (1:31). Diz ainda que Deus plantou para o homem cuidar e guardar “um jardim no Éden”, com “toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento” (2:8-9) e deu orientações ao homem de quais árvores ele poderia apenas apreciar e de quais ele poderia comer sem correr o risco de morrer (2:16-17).
Percebemos, assim, que desde o início do mundo, Deus queria que o homem fosse feliz, que tivesse sua família, que tivesse um lugar para trabalhar, que tivesse o que comer, enfim, que tivesse tudo o que fosse necessário para que ele vivesse bem. Vó Jorcelina teve os seus dias de glória na Terra, foi feliz no meio daqueles com quem viveu e agora chegou a sua hora de partir, a sua hora de dizer juntamente com o apóstolo Paulo:“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4:7-8).
Em nossa vida nos relacionamos com diferentes tipos de pessoas. Muitas delas não fizeram, nem fazem qualquer diferença para nós. Há outras, no entanto, que nos inspiram, que nos estimulam a continuar vivendo cada vez com mais intensidade. Vó Jorcelina, com sua simplicidade, seu jeito humilde e paciente desempenhava o papel da mulher que ensina com seu procedimento e com seu modo de viver. Não era uma mulher de muitas palavras. Falava pouco. Mas dizia muito com seus atos, com seu modo de viver. E a sabedoria é essa: o nosso verdadeiro valor não está naquilo que falamos, mas naquilo que fazemos. Um bom ato vale mais do que todos os discursos vazios e teóricos que possamos realizar. A autoridade não está no falar, mas no praticar.
Embora já debilitada pelas enfermidades da velhice, dificilmente víamos essa mulher desanimada. Se perguntássemos se estava boa, era honesta e incisiva: “não tô muito boa, não”. No entanto, quando era levada para o tratamento estava sempre dizendo que queria voltar para casa. Somente em casa ela se sentia verdadeiramente bem.
Agora, neste dia 21 de março de 2006, ela nos deixa por um breve espaço de tempo e parte para estar com o Senhor da Glória, em casa. Tendo se preparado em tempo oportuno, tornando-se serva de Jesus, Vó Jorcelina vai para o céu tomar posse de uma daquelas moradas que o Senhor foi preparar para os seus discípulos, conforme ele disse, antes de também deixar este mundo: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Não casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar” (Jo 14:1-2).
Vovó agora se mudou de vez para a sua nova casa. Para todos nós que conhecemos a Palavra de Deus, isso é uma grande vitória. Quantas pessoas começaram essa corrida da fé e desistiram no meio do caminho. A respeito disso o apóstolo Paulo conversa com eles e pergunta: “Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer a verdade?” (Gl 5:7). Vovó não desistiu. Ela continuou obedecendo a verdade. Quantos outros não ficaram desmaiando de desanimados diante da carreira cristã! O autor de Hebreus registra uma longa lista de exemplos de pessoas que viveram com fé, que não desanimaram, que não desistiram, que continuaram fiéis até o fim e concluiu: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).
Irmã Jorcelina está inclusa nessa lista de heróis da fé a partir de hoje, porque foi uma vencedora, perseverando até o fim da vida, fiel ao Senhor. Que ela sirva de exemplo para os suas filhas, sua nora, seus genros, netos, bisnetos, tataranetos e demais parentes e amigos. Sigam as pegadas dela. A todos, ela diz com o salmista Davi: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37:5). Não vejam a morte de nossa irmã como o fim, mas como o começo de uma nova etapa da vida dela. A sua partida certamente será sentida por todos, mas ela se sentiria muito mais valorizada e muito mais amada, se a sua descendência seguisse o seu exemplo de vida como crente em Jesus, porque somente dessa forma é que uma pessoa pode ser completamente feliz. E tendo sido feliz, tenho certeza de que “Mãe Celina” desejava que você também fosse muito feliz.
Essa é a pregação que faço em nome de minha vó.
Que Deus nos abençoe!
















Que bom conhecer um pouco mais da minha história, só fiquei triste em saber que o RESPLANDES que sempre orgulho de dizer que era do meu vô, não é.
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